31 de janeiro de 2013

OLIMPIO PINTO

 
TROCA
 
Troco uma vida de assim-assim, por um minuto fora de mim. Ou um
segundo. Ou um esgar. De fora de mim. De para lá. De para além. Toda a
vida, pelo momento que ninguém tem. E todas as pessoas são do tamanho
do que não são. Todas as pessoas valem os momentos em que nada lhes
vale. Eu quero deixar de mim, ser a imagem que ninguém vê, o sacana
libertino em que ninguém crê. Quero ficar do tamanho do sempre, dançar
em cima do pungente, rir sobre a tristeza, ensinar a vida à própria
morte. E agradecer o milagre da minha sorte. Todas as pessoas são do
tamanho das lágrimas que choram, da distância da loucura que decoram.
E decoram a loucura como se decora a dor. E decoram a razão como se
fosse indolor. Mas não! Mas não! Mas não! Não é a loucura que dói, não
é a razão que constrói. Mas não! Mas não! Mas não! Não é o demente o
doente.Não é o que sofre o carente. Não é quem se contém que é gente.
Não! Não! Não! Não é continuar que é viver, não é aguentar que é
saber. Não! Não sou demente nem sou carente. Não sou o que sabe, nem o
que quer saber. Sou o feliz ignorante, o mestre do instante. Sou o que
não se perde senão na perdição. O que não se vem senão a tudo o que
tem. Sou o simples trocador. Troco uma vida de assim-assim, por um
minuto fora de mim!
 
 
Pedro Chagas Freitas, in "Livro de Aforismos e Mentiras Universais".


 

20 de janeiro de 2013

ANTÓNIO MANUEL RODRIGUES CARDOSO

 
Notícia da revista " Combatente ", Edição 362 - Dezembro 2012