20 de novembro de 2012

OLIMPIO PINTO E A SUA POESIA


MULHERES
- Mulher bonita, sensível e inteligente - é perigo!
- Mulher bonita, sensível e burra - é mãe solteira.
- Mulher bonita, insensível e inteligente - é elegível.
- Mulher bonita, insensível e burra - é fotografia.
- Mulher feia, insensível e burra - é homem!
 
Logo, não há mulheres feias.
 
q.e.d.
 
 
O.A.A.P.

 

PAPEL OU ESTATUTO
No espectáculo da vida, qualquer papel se pode representar - é uma
questão, menor, de habilidade e de versatilidade histriónica do
"artista".
 
Na substância da vida, Estatuto, conquista-se - é uma questão, mor, de
competência e de verticalidade de Carácter do Homem.
 
 
O.A.A.P.
2012

 

NUNCA, NUNCA MAIS ACABOU


Um frio terrível gelou a montanha!
 
 - Não há folha no vale!
 - Não há água que corra!
 - Não há cova que sirva!
 -Não há vida que mova!
 
 O vento não ouve...
 - É branco o silêncio!
 
 À entrada da gruta
 Hesita há um tempo
 Um grupo sedento
 Gelado, esfaimado.
 
 Lá dentro outro grupo:
 Família dorida
 - O macho está ferido
 - Um braço comido!
 Da luta bravia
 C'o a fera vencida!
 
 As crias encostam
 Mantendo o calor
 A fêmea vigia
 Instinto e Amor!
 
 O cheiro é acre e adocicado
 Dos restos, bocados
 Da carne caçada.
 
 Aqueles que estão fora
 Procuram abrigo
 - Lá dentro está quente!
 - Ainda há comida!
 
 A gruta é pequena
 O espaço não chega!
 E a fêmea que rosna
 Sustem os intrusos!
 
 Mas...
 Do grupo faminto
 A fome venceu!
 - O mais corpulento
 - O mais violento
 - Os olhos em fogo
 - Olhar em cobiça!
 Com grito estridente
 Irrompe a direito
 Vibrando o cacête
 - Num golpe certeiro
 A fêmea abateu!
 Os outros o seguem
 Em gritos berrando
 Em roncos uivando
 De pedras na mão
 Batendo com força
 Na fêmea já morta!
 Nas crias que guincham!
 No macho que as cobre
 - O corpo enrolando
 - Os dentes cerrando
 - A boca rasgando
 - Os olhos vidrados
 - Da força da Dor
 - Do medo e pavor
 - Do ódio e da raiva
 - Do terror e da morte!...
 
 Passado algum tempo
 Vincando a ravina
 Rolaram os corpos
 Moídos, esmagados
 Torcidos, vergados
 Horrendos, disformes!
 - Um já não tem braço
 - O outro desfeito
 - E três são pequenos!
 E ficam, rasgados
 Em sangue, em farrapos!
 
 Que signo sinistro!
 Que torvo prenúncio!
 Que nódoa terrível!
 Na neve mais branca!
 No branco mais puro!
 Da Mãe Natureza!
 
 Mas...
 Dos corpos pequenos
 Da morte um escapou!
 O acaso o roubou!
 - Caíu num covil
 - A loba o tomou!
 - À vida voltou!...
 
 E nunca, nunca mais esqueceu!
 E um dia... um dia vingou!
 
 O homem nasceu!
 - A guerra vomita!
 - Uma guerra d'irmãos!
 - Uma guerra maldita!
 
 Que nunca, nunca mais acabou!
 
 
 Olímpio António Alegre Pinto
 Janeiro 1997

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