6 de outubro de 2012

LIMA DUARTE - TEXTO I


Ora viva pessoal!

Dentro de dias vamos voltar a encontrar-nos em mais uma jornada de convívio da C.Caç 106, que fez a sua comissão de serviço entre Junho de 1969 e Julho de 1970, no Lucunga.

Conviver, acima de tudo, recordando momentos que marcaram a nossa vivência em comum e muitos dos nossos companheiros que partilharam bons e maus momentos connosco (alguns deles, e não sabemos quantos, deixaram já o convívio terreno com familiares e amigos ou aqueles que estarão algures e de quem perdemos o rasto).

Esta é uma tradição que infelizmente tem poucos anos (só possível graças ao advento da internet), mas que  no fundo acaba por ser a sequência daqueles que, já depois de termos deixado o exército, alguns de nós iamos fazendo, em especial quando a “saudade” apertava um pouco mais.

De alguns ficaram recordações próprias e vou aproveitar para deixar aqui uma dessas situações que acabaram por se tornar especiais.

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E lá vem as recordações. Até parece as “estórias” juvenis.

Era uma vez ... no Rialto!!!!

Era uma vez... eram cinco (não vou dizer os outros nomes porque não sei se eles gostariam de ser nomeados), todos ex-Lucunga, e a viver em Luanda -  de qualquer forma penso que são mais ou menos identificáveis, para o nosso pessoal.

Já não se encontravam há algum tempo e, conforme era hábito, quando batia a saudade, telefonavam para se encontrar, beber uns copos e conversar um bocado.

Aconteceu mais uma vez e o telefone foi tocando para aprazar o encontro. Onde vai ser (Polana? Baleizão? Tamariz?), onde não vai, até que calhou o Rialto, ali no Jardim dos CTT, virado à marginal.

Lá se encontraram, depois de sair dos respectivos empregos. Grandes conversas, sempre acompanhadas dumas “cervejolas”, uns camarões, umas quitetas e por aí adiante.

A páginas tantas, perto das nove, sai um, porque «tinha que ir ter com a namorada» (deixou uns trocos). Passados alguns minutos, sai outro, porque «tinha trabalho de fotografia (CITA) para fazer» (deixou mais alguns trocos). Ficaram três e, quando entenderam chegado o momento de ir embora, eram para aí dez da noite, pediram a conta. Veio o empregado com a “respectiva” mas, preparando-se para pagar, chegaram à conclusão que o dinheiro não chegava.

«E agora?» Interrogaram-se.

«Como vamos fazer? Vamos passar vergonha!», foi a expressão unanime.

Havia que encontrar uma solução, até porque, ali ao lado ficava o Comando da PSP e não seria agradável ir passar a noite à esquadra.

Situação complicada (parecia não haver soluções financeiras à vista), até que um deles alvitrou: «só se for a casa buscar dinheiro, mas o problema é que não tenho transporte. Ir à Boavista e vir, de “maximbas”, nunca mais cá chego».

A resposta veio a seguir, do amigo bancário, «não há problemas, tenho a mota no “Serpa Pinto”, vamos buscá-la e vamos a tua casa, mas para isso é necessário que o “portista” fique aqui».

Ok! Todos de acordo, e lá foram eles.

Pela distância que tinham que percorrer a pé e pela distância que tinham para fazer de mota, tudo isto demorou “p’raí” uma hora, e eram seguramente onze da noite quando regressaram.

Ao chegar perto, o amigo “Maianga-bancário”, parou a mota no Largo Bressane Leite, do outro lado do comando da PSP e quis ir a pé, pelo jardim, para ver como é que as coisas estavam, apreciando a natural aflição do amigo “portista”, face a tanta demora.

De facto, o amigo lá se mantinha na mesa, procurando disfarçar algum desconforto, já que a pouco mais de um metro, encostado à parede das traseiras do bar, estava o empregado a fazer uma marcação  “box to box” digna da melhor defesa pressionante que se possa fazer no basquetebol.

“Mauzinhos”, os dois amigos sentaram no banco do jardim, durante mais alguns minutos, a apreciar a “cena”.

Deu-lhes depois um rebate de consciência e lá foram resolver a situação.

Paga a conta, com o empregado desmobilizado, foi mais uma festa, com o “portista” a contar que, depois dos outros terem saído, e do empregado se ter apercebido de que só ele estava na mesa, pensando com toda a razão, que os “bandidos” iam fugir sem pagar, nunca mais o deixou sózinho. Montou guarda, e só descansou quando viu os outros dois de regresso.

Descansou ele... e descansou o amigo “portista” pois, segundo confessou, a demora estava a deixá-lo bastante preocupado, acrescentando, no entanto, num assomo de confiança, nunca ter deixado de acreditar que, «vocês iam regressar. Não me iam deixar ali pendurado»!
 
Lima Duarte

 

10 comentários:

Anónimo disse...

Caro camarada Lima Duarte,
Nessa “estória” passada no Rialto, os referenciados estão todos identificados, excepto um, o “portista”. Podes pelo menos dizer a que pelotão pertencia?

Um abraço

Anónimo disse...

Vou deixar só mais uma dica. O portista trabalhava na JAEA.

Anónimo disse...

Era esse mesmo que estava a pensar! Malandros!

Anónimo disse...

Mas acho que a “estória” está mal contada! Não seria outro a ficar no Rialto? Então não foram buscar o dinheiro à Praia do Bispo?

Anónimo disse...

O da Praia do Bispo já tinha ido embora. Tinha fotos para tirar.

Anónimo disse...

Então o que ficou lá não foi um do 1º pelotão, e que continuou a mandar vir finos?

Anónimo disse...

Só uma dúvida, o “portista” morava em S. Paulo? É que havia outro e daí pode estar a minha confusão.

Anónimo disse...

Não era do 1.º pelotão. Era do 3.º.

Anónimo disse...

Agora já não vão a tempo ( até porque o almoço foi ontem), mas no próximo ano vai haver novo almoço do pessoal e se quiserem saber mais é só esperar pela data e juntarem-se ao grupo.

Um abraço

Anónimo disse...

ENTÃO PESSOAL COMO É? COMBINAM UM ALMOÇO E NÃO DIZEM O LOCAL NEM DATA? NÃO ERA SUPOSTO SAIR EM ORDEM DE SERVIÇO E AFIXADO NO BLOG DA COMPANHIA? ALMOÇARADAS CLANDESTINAS, DÃO CASTIGO!
UM ABRAÇO A TODOS.

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