24 de outubro de 2012

ALTERAÇÃO DO CORREIO ELETRÓNICO

Informamos que a direção de Correio Eletrónico da C.Caç.106, foi alterado de "Hotmail" para "Outlook".
Assim, a direção completa passa a ser: " c.cac.106-lucunga@outlook.com ".
Cá ficamos à espera dos vossos trabalhos, nesta nova morada.
Saudações amigas

19 de outubro de 2012

7º ENCONTRO CONVIVIO

 
 
Como  vem sendo habito, realizou-se no dia 13 do corrente mais um  Encontro Convivio, o 7º, dos antigos elementos que pertenceram à C.Caç.106, Companhia que esteve no Lucunga, Angola, entre 1969 e 1970. Aqui ficam algumas fotos desse encontro, enviadas pelo ex-companheiro Mendes da Silva
 
 
 
 









15 de outubro de 2012

PENSAMENTOS DE OLIMPIO PINTO

O Soldado nunca morre!

Por vezes, por desígnio de Marte, Cai em combate!

- Alcança o Firmamento da Imortalidade!


O.A.A.P.
2012
 
 
 
 
Poder, uso, e legitimidade
 
 

Uns por pânico e cobardia, outros por ignorância e acefalia, são
muitos os que invocam, sistemática e pateticamente, a legitimidade da
eleição, ocultando, ou desconhecendo, o que é a legitimidade do
exercício.

O.A.A.P.
2012

6 de outubro de 2012

LIMA DUARTE - TEXTO II

 
A ignorância...  é atrevida
O nosso amigo “Zé” (que não era da fisga),  na verdura dos seus vinte anos, não conhecia o aforismo popular que serve de título a este curto texto.
Consciente das suas responsabilidades, no que respeita aos homens que comandava e ás obrigações militares em campanha, nunca se permitiu facilitar no desempenho das suas funções, procurando que o treino militar recebido e tansmitido pelos Comandos, permitisse atravessar sem perdas humanas a comissão de serviço para a qual foi destacado.
As coisas já não eram bem assim, quando transportadas para o lado individual, isto é, quando se encontrava de folga.  Há contudo excepções, que só servem para confirmar a regra.
Sabendo que ía para o mato, procurou ler o que, para além dos manuais militares, lhe pudesse chegar às mãos, sobre caça e caçadores, julgando-se provavelmente a partir daí, embora talvez inconscientemente, um “especialista” na matéria.
Nessa vontade de viver experiências, que muito provavelmente não voltaria a viver, integrou amiudadas vezes a equipa de caça, chegando algumas vezes a sair do aquartelamento, durante o dia, sózinho (daí ter chegado a um encontro com uma pacaça de “quedes ou sapatilhas”, numa outra situação, que viria a relatar a seu tempo), equipado com uma Mauser (excelentes de precisão) e algumas balas de ponta cortada (mal sabendo ele, na altura, que as balas cortadas, sem qualquer critério, sofriam desvios de direcção. Mas isso aprendeu com a pacaça de “quedes”).
Esta contudo, é outra “estória”.
O pelotão, do qual fazia parte, estava de serviço ao aquartelamento e competia-lhe, para além de garantir a segurança, abastecer a unidade de lenha e água. Ao nosso amigo, a escala de serviço marcava-lhe o abastecimento à companhia (feito por duas secções e por norma numa sequência que levava a carregar água, logo pela manhã, e depois a ida à lenha, na maior parte das vezes, à tarde).
Manhã cedo, saiu a coluna (dois Unimogs, vulgo “burro do mato”, para segurança,  e uma Berliet, carregada com bidons de 200 lts. para encher de água) a caminho do ribeiro onde se fazia o abastecimento, situado num pequeno vale pouco pronunciado. A iniciar a descida foi avistada uma pacaça (1) a beber numa pequena lagoa, que ficava fora do arvoredo subjacente ao ribeiro.
Naquele dia, no entanto, vá lá saber-se porque razões, a vontade de caçar do Zé, não era nenhuma. O pessoal contudo insistiu e ele acabou por aderir à ideia, permitindo que três dos seus camaradas fossem tentar apanhar o animal, (um deles levando a G3 do Zé e deixando a FN de cano reforçado)enquanto os restantes, com as viaturas paradas, ficavam no alto a ver o que a caçada dava.
A aproximação foi feita, os disparados sucederam-se, mas o animal não caiu, fugindo em direcção à “picada”.
Os carros arrancaram então para tentar interceptar a pacaça, só que esta enfiou-se na mata, deixando contudo um rasto de sangue, onde era visível muita espuma. O animal estava ferido e, “pelos livros”, devia ser nos pulmões, pelo que «teria morte mais ou menos certa, dentro de algum tempo».
Aqui, o nosso amigo entusiasmou-se, porque terá pensado, «o animal vai morrer e é um benefício para o pessoal, que pode comer carne de caça fresca» e ao mesmo tempo, na dúvida, reconheceu para com os seus botões, que «era um perigo deixar à solta um animal ferido, capaz de matar quem se lhe atravessasse no caminho».
Pensou e lançou mãos à obra. De FN na mão, mandou avançar os carros para o abastecimento, distribuiu a segurança, entregou o comando ao cabo mais antigo e lançou-se  na perseguição da pacaça, com mais três soldados, P....; B.... e X... .
Ainda avistou o bicho, depois de subir uma pequena árvore, mas o local, precário, não lhe permitiu atirar e a pacaça embrenhou-se na mata. Seguindo o rasto, cada vez mais convencido que o animal não iria longe, entraram num caminho de pé posto, que mais à frente se bifurcava, havendo sinais de sangue para os dois lados.
O animal selvagem, acossado, mostrava instinto de conservação e quiçá inteligência, criando uma armadilha, camuflando-se de tal forma que a escassos três ou quatro metros não se conseguia descortinar.
Na dúvida, sem saber ainda o que o esperava, decidiu dividir as “tropas”, indicando que deviam ir dois para cada lado.
O avanço não foi nenhum, ele foi para a esquerda, o P...,  foi para a direita, e não tinham dado dois passos, quando se ouviu um barulho do lado direito. Mais rápida do que o pensamento, a pacaça avançava sobre o P...  e, tudo aconteceu num relâmpago.
Este (baixinho) gritou e recuou,  por felicidade (só reconhecida depois), tropeçou numa raíz, caindo de costas, no preciso momento em que a pacaça investiu. O nosso amigo virou-se viu o bicho a investir e meteu bala na câmara, disparando por instinto sobre a pacaça. Só que a arma encravou. Voltou a repetir a operação, já com o bicho em cima, tentou novo disparo  mas a FN voltou a encravar.
Entretanto, ao cair, a arma do soldado P... disparou-se  enquanto o bicho flectiu na direcção do nosso amigo, que só teve tempo de se encostar ao capim, fazendo uma “chicoelina” para escapar à marrada.
Os dois que vinham atrás, B.... e X.... mal sentiram o movimento do animal, viraram as costas e fugiram. Aperceberam-se depois que a pacaça corria num trilho ao lado do deles (fugiam lado a lado) e vai de atirar rajada para cima do animal, gritando que ele tinha caído mais à frente.
Dez metros atrás, o amigo Zé procurava raciocinar, na medida do possível, tentando descobrir o P..., enquanto pensava «estou f...». «O homem a esta hora está com as tripas de fora, tenho que pedir evacuação e depois como é que vou explicar esta m...». Pior, «o filho da p... do bicho matou-me o soldado».
- Oh P...; oh P..., gritava o “Zé”, aflito, enquanto olhava ao redor e para cima das árvores, para ver se via o companheiro.
De repente, atrás de si, ouviu umavoz meio sumida a responder.
- Estou aqui!
- Estás ferido? Perguntou de imediato.
- «Não», respondeu o P... ,  enquanto se punha a pé e descia as calças para ver se tinha alguma ferida, explicando  «a pacaça, ao passar por cima de mim, pisou-me os tomates e isso é que me doi».
 O nosso amigo remirava o P... para ver se via sangue,  tranquilizando-se lentamente,  enquanto perguntava «estás mesmo bem?»
Lá atrás o silêncio era dominante.  Até que B...voltou a gritar, « a pacaça está aqui morta».
Foram para trás e a verdade é que o animal lá estava caído. Só que, numa inspecção imediata o Zé constatou que, depois de tantos tiros, o bicho apenas tinha dois furos.
Um que lhe tinha atravessado as bochechas e tinha sido o causador de tudo aquilo, pois a espuma era proveniente da saliva e não dos pulmões, como julgava o expert de caça.
O outro,  que foi a causa da morte, era um furo de bala que entrou por baixo do pescoço e saiu pelo crânio, e que tinha sido disparado por  P..., quando se desequilibrou e caiu de costas no trilho.
No final, terá ficado um susto e a lição (mais uma) para recordar, e um inchaço nos tomates, que obrigou o P... a andar de perna aberta, durante quinze dias. 
Lucunga, ( a data que entenderem).
(1) Pacaça: mamífero ruminante  e selvagem, semelhante a um touro (para eventuais leitores que nunca tenham visto nenhuma, «dá uns bifes excelentes»).
*Conto ficcionado, com alguns laivos de veracidade, no enquadramento geográfico. Qualquer semelhança com a realidade, é pura coincidência.
**O autor está em desacordo com o Acordo Ortográfico. Por isso, escreve à moda antiga, e em vernáculo militar.
Lima Duarte
 
 
 
 

LIMA DUARTE - TEXTO I


Ora viva pessoal!

Dentro de dias vamos voltar a encontrar-nos em mais uma jornada de convívio da C.Caç 106, que fez a sua comissão de serviço entre Junho de 1969 e Julho de 1970, no Lucunga.

Conviver, acima de tudo, recordando momentos que marcaram a nossa vivência em comum e muitos dos nossos companheiros que partilharam bons e maus momentos connosco (alguns deles, e não sabemos quantos, deixaram já o convívio terreno com familiares e amigos ou aqueles que estarão algures e de quem perdemos o rasto).

Esta é uma tradição que infelizmente tem poucos anos (só possível graças ao advento da internet), mas que  no fundo acaba por ser a sequência daqueles que, já depois de termos deixado o exército, alguns de nós iamos fazendo, em especial quando a “saudade” apertava um pouco mais.

De alguns ficaram recordações próprias e vou aproveitar para deixar aqui uma dessas situações que acabaram por se tornar especiais.

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E lá vem as recordações. Até parece as “estórias” juvenis.

Era uma vez ... no Rialto!!!!

Era uma vez... eram cinco (não vou dizer os outros nomes porque não sei se eles gostariam de ser nomeados), todos ex-Lucunga, e a viver em Luanda -  de qualquer forma penso que são mais ou menos identificáveis, para o nosso pessoal.

Já não se encontravam há algum tempo e, conforme era hábito, quando batia a saudade, telefonavam para se encontrar, beber uns copos e conversar um bocado.

Aconteceu mais uma vez e o telefone foi tocando para aprazar o encontro. Onde vai ser (Polana? Baleizão? Tamariz?), onde não vai, até que calhou o Rialto, ali no Jardim dos CTT, virado à marginal.

Lá se encontraram, depois de sair dos respectivos empregos. Grandes conversas, sempre acompanhadas dumas “cervejolas”, uns camarões, umas quitetas e por aí adiante.

A páginas tantas, perto das nove, sai um, porque «tinha que ir ter com a namorada» (deixou uns trocos). Passados alguns minutos, sai outro, porque «tinha trabalho de fotografia (CITA) para fazer» (deixou mais alguns trocos). Ficaram três e, quando entenderam chegado o momento de ir embora, eram para aí dez da noite, pediram a conta. Veio o empregado com a “respectiva” mas, preparando-se para pagar, chegaram à conclusão que o dinheiro não chegava.

«E agora?» Interrogaram-se.

«Como vamos fazer? Vamos passar vergonha!», foi a expressão unanime.

Havia que encontrar uma solução, até porque, ali ao lado ficava o Comando da PSP e não seria agradável ir passar a noite à esquadra.

Situação complicada (parecia não haver soluções financeiras à vista), até que um deles alvitrou: «só se for a casa buscar dinheiro, mas o problema é que não tenho transporte. Ir à Boavista e vir, de “maximbas”, nunca mais cá chego».

A resposta veio a seguir, do amigo bancário, «não há problemas, tenho a mota no “Serpa Pinto”, vamos buscá-la e vamos a tua casa, mas para isso é necessário que o “portista” fique aqui».

Ok! Todos de acordo, e lá foram eles.

Pela distância que tinham que percorrer a pé e pela distância que tinham para fazer de mota, tudo isto demorou “p’raí” uma hora, e eram seguramente onze da noite quando regressaram.

Ao chegar perto, o amigo “Maianga-bancário”, parou a mota no Largo Bressane Leite, do outro lado do comando da PSP e quis ir a pé, pelo jardim, para ver como é que as coisas estavam, apreciando a natural aflição do amigo “portista”, face a tanta demora.

De facto, o amigo lá se mantinha na mesa, procurando disfarçar algum desconforto, já que a pouco mais de um metro, encostado à parede das traseiras do bar, estava o empregado a fazer uma marcação  “box to box” digna da melhor defesa pressionante que se possa fazer no basquetebol.

“Mauzinhos”, os dois amigos sentaram no banco do jardim, durante mais alguns minutos, a apreciar a “cena”.

Deu-lhes depois um rebate de consciência e lá foram resolver a situação.

Paga a conta, com o empregado desmobilizado, foi mais uma festa, com o “portista” a contar que, depois dos outros terem saído, e do empregado se ter apercebido de que só ele estava na mesa, pensando com toda a razão, que os “bandidos” iam fugir sem pagar, nunca mais o deixou sózinho. Montou guarda, e só descansou quando viu os outros dois de regresso.

Descansou ele... e descansou o amigo “portista” pois, segundo confessou, a demora estava a deixá-lo bastante preocupado, acrescentando, no entanto, num assomo de confiança, nunca ter deixado de acreditar que, «vocês iam regressar. Não me iam deixar ali pendurado»!
 
Lima Duarte