23 de dezembro de 2012

MENSAGEM DE OLIMPIO PINTO

A meu Filho
À minha Família
Aos meus Amigos
Aos meus Camaradas

A meus Amores


Combaterei!!!
E mesmo que me prostre a última exaustão...
Pedirei Forças à Alma de Deus
E levantar-me-ei!
E... ainda mais lutarei!!

Combaterei, sempre!!!
- Para que acabe o ódio!
- Para que não haja egoísmo!
- Para que findem as guerras!
- Para que não corra mais sangue!
- Para que todos sejamos Irmãos!

E, da Maldade... defender-me-ei!!

Combaterei, sempre!!!
- Para que as crianças não chorem!
- Para que as Mães não sofram!
- Para que os velhos não sintam a dor da fome...
E da solidão!

- Combaterei pela Terra...
- Pela nossa Casa...
- Pela Mãe Natureza!

E para que, um dia, longínquo, um Irmão possa, talvez, pensar:
- Não foi neutro, nem imparcial!
- Foi pela Vida, e pela Justiça!

Olímpio A. Alegre Pinto
Natal, 2012

20 de dezembro de 2012

MENSAGEM DE LUIS CABRAL

          


 Votos de FELIZ  NATAL  
Luis Cabral

13 de dezembro de 2012

MENSAGEM DE RAUL SOUSA

 
Amigos e companheiros, desejo que com muita saúde e alegria, tenham um Natal muito Feliz, e que o Ano Novo vos traga muita saúde e bem estar.
Raul Sousa «Fafe»

2 de dezembro de 2012

BOAS FESTAS

      
    São os votos sinceros a todos os elementos da ex-C.Caç.106, e a todos quantos passarem de visita por este Blog.
Um Feliz Natal, e que o Ano Novo nos traga tudo aquilo que mais desejamos, sobretudo "Saúde, Páz e Amor"

20 de novembro de 2012

TEXTO ILUSTRADO (E BEM) DE LIMA DUARTE

Ração de combate... melhorada.
Os meus amigos, que tal como nós, tiveram o “previlégio” de andar em zona operacional, lembram-se certamente das famosas “rações de combate”, que nos eram distribuidas quando saíamos para “operação”.  As latas de sardinha, de carne ou de chouriço, as de paté, as frutas cristalizadas, o leite condensado ou achocolatado, o queijo prensado,  os comprimidos de sal (para evitar a desidratação) e, por cima daquilo tudo, as famosas bolachas “capitão”.
Estas então eram qualquer coisa de espectacular, pois bastava uma para encher o estomago. Penso mesmo que não houve ninguém que não tivesse feito a experiência de colocar uma bolacha dentro de uma marmita com água, e aguardar algum tempo até ir ver o resultado. A bolacha crescia, crescia, e ficava quase do tamanho daquelas “carcassas ou casqueiros” (passe algum exagero) que tinhamos no refeitório.
A verdade é que, sempre que saíamos para a mata, lá íamos carregados com rações para o tempo que durava a operação, que podia ser de 3, 4, 5 ou mais dias. Convêm lembrar que na recruta e na especialidade já tinhamos aprendido que só carregávamos o que nos interessava ( sem que fosse descriminação, as latas de sardinha ficavam invariavelmente para trás), pois o peso a transportar era bastante razoável, e havia que palmilhar muitos quilómetros de montes e vales,  levando apenas o essencial.
Ora, é certo e sabido que, comer sempre a mesma coisa, acaba por saturar. Tentávamos enganar o apetite e, quando em campanha, lá íamos assando um “chouricito”, para desenjoar mas, a partir de certa altura, o pensamento voava para a messe e para uma refeição quente, apesar da variedade não ser muito grande, o que obviamente estava fora de hipótese... e do nosso alcance.
Só que, o velho aforismo castrense lembrava-nos a cada instante que «a tropa manda desenrrascar». Ainda por cima, os outros dois “furrias” do meu pelotão, para além de grandes companheiros, não eram nada avessos a um bom petisco ou, porque não, uma refeição com todos os “matadores” (e aqui estou a lembrar-me de uma operação ao Luaia).
Acontece que estávamos de partida para mais uma operação, penso que para o rio M’bridge, quando soubemos que o almoço da companhia, no dia seguinte, ía ser  bacalhau.
Feito o nosso “briefing” operacional, já noite dentro, juntámos-lhe uma adenda de contestação, pois não teríamos hipoteses de saborear o “fiel amigo”, que diga-se, andava há muito arredado das nossas bocas (nem sei mesmo se, tirando a consoada, esta não seria a segunda ou terceira vez em que ele ía marcar presença no “rancho”).
A carne com batatas, a carne com massa, a carne com arroz, o arroz com atum (Na Companhia, o rancho era igual para todos e às vezes era preciso o gerente de messe equilibrar as contas pois a gestão da mesma não podia dar saldo negativo – lembram-se que não se podia gastar mais do que uma verba irrisória, por cabeça, a cada refeição -  não me recordo se seria 1$25, pois a minha gerência de messe, fez no mês de Outubro  43 anos) e ainda por cima,  a “promessa” de irmos comer ração de combate, nos dias seguintes, levou-nos a ponderar a situação.
De tal forma o fizemos, que entendemos realizar o reconhecimento do terreno, descobrindo a “selha” onde o bacalhau estava a demolhar e, num ”golpe de mão” perfeito, pescámos cada um a nossa posta do, agora sim “fiel amigo” e lá fomos fazer a última revisão ao material, conscientes que desta vez a ração de combate estava mesmo melhorada.
De madrugada, ainda deu para passar pelo forno do pão, pegar nalguns “papo-secos” e arrancar com a moral em alta. Depois, lá deu para escolher o dia (que não podia esperar muito) e comer uma postinha de bacalhau, em plena base táctica. Sem peso na consciência, apesar de,  no dia seguinte, segundo relatos posteriores, o nosso bom e querido amigo “Vago Mestre”, ter andado algo aflito, ficando na dúvida se se tinha enganado a contar as postas do dito cujo. Teve então que chamar pelo menos “três” reservas à equipa principal e, quando alguns dias depois  regressámos à base,  para que a malandrice não caisse em saco roto , lá veio tentar tirar “bacalhaus da púcara”.
-  Foram vocês!
- «Fomos nós o quê»?  Ripostámos, fazendo a cara mais angelical que nos era possível, fartinhos de saber ao que ele se estava a referir.
- O bacalhau!
- Qual bacalhau? Não nos digas que guardas-te alguma coisa para nós!
- Qual quê, faltaram-me três postas de bacalhau, no dia que sairam para a mata, e só podem ter sido vocês.
Negámos, embora já a sorrir, rematando.
- Pronto pensa o que quiseres,  que o pessoal daqui a pouco na messe,  com umas cervejolas pelo meio, já esclarece isso.
Claro que ficou tudo esclarecido, pelo companheirismo e amizade que nos unia, acabando com umas boas gargalhadas.
PS. Nesta peça de ficção, podem substituir o bacalhau por peixe, marisco ou outro produto qualquer,  que naqueles tempos possa ter alimentado a vossa imaginação.
Lima Duarte

OLIMPIO PINTO E A SUA POESIA


MULHERES
- Mulher bonita, sensível e inteligente - é perigo!
- Mulher bonita, sensível e burra - é mãe solteira.
- Mulher bonita, insensível e inteligente - é elegível.
- Mulher bonita, insensível e burra - é fotografia.
- Mulher feia, insensível e burra - é homem!
 
Logo, não há mulheres feias.
 
q.e.d.
 
 
O.A.A.P.

 

PAPEL OU ESTATUTO
No espectáculo da vida, qualquer papel se pode representar - é uma
questão, menor, de habilidade e de versatilidade histriónica do
"artista".
 
Na substância da vida, Estatuto, conquista-se - é uma questão, mor, de
competência e de verticalidade de Carácter do Homem.
 
 
O.A.A.P.
2012

 

NUNCA, NUNCA MAIS ACABOU


Um frio terrível gelou a montanha!
 
 - Não há folha no vale!
 - Não há água que corra!
 - Não há cova que sirva!
 -Não há vida que mova!
 
 O vento não ouve...
 - É branco o silêncio!
 
 À entrada da gruta
 Hesita há um tempo
 Um grupo sedento
 Gelado, esfaimado.
 
 Lá dentro outro grupo:
 Família dorida
 - O macho está ferido
 - Um braço comido!
 Da luta bravia
 C'o a fera vencida!
 
 As crias encostam
 Mantendo o calor
 A fêmea vigia
 Instinto e Amor!
 
 O cheiro é acre e adocicado
 Dos restos, bocados
 Da carne caçada.
 
 Aqueles que estão fora
 Procuram abrigo
 - Lá dentro está quente!
 - Ainda há comida!
 
 A gruta é pequena
 O espaço não chega!
 E a fêmea que rosna
 Sustem os intrusos!
 
 Mas...
 Do grupo faminto
 A fome venceu!
 - O mais corpulento
 - O mais violento
 - Os olhos em fogo
 - Olhar em cobiça!
 Com grito estridente
 Irrompe a direito
 Vibrando o cacête
 - Num golpe certeiro
 A fêmea abateu!
 Os outros o seguem
 Em gritos berrando
 Em roncos uivando
 De pedras na mão
 Batendo com força
 Na fêmea já morta!
 Nas crias que guincham!
 No macho que as cobre
 - O corpo enrolando
 - Os dentes cerrando
 - A boca rasgando
 - Os olhos vidrados
 - Da força da Dor
 - Do medo e pavor
 - Do ódio e da raiva
 - Do terror e da morte!...
 
 Passado algum tempo
 Vincando a ravina
 Rolaram os corpos
 Moídos, esmagados
 Torcidos, vergados
 Horrendos, disformes!
 - Um já não tem braço
 - O outro desfeito
 - E três são pequenos!
 E ficam, rasgados
 Em sangue, em farrapos!
 
 Que signo sinistro!
 Que torvo prenúncio!
 Que nódoa terrível!
 Na neve mais branca!
 No branco mais puro!
 Da Mãe Natureza!
 
 Mas...
 Dos corpos pequenos
 Da morte um escapou!
 O acaso o roubou!
 - Caíu num covil
 - A loba o tomou!
 - À vida voltou!...
 
 E nunca, nunca mais esqueceu!
 E um dia... um dia vingou!
 
 O homem nasceu!
 - A guerra vomita!
 - Uma guerra d'irmãos!
 - Uma guerra maldita!
 
 Que nunca, nunca mais acabou!
 
 
 Olímpio António Alegre Pinto
 Janeiro 1997

24 de outubro de 2012

ALTERAÇÃO DO CORREIO ELETRÓNICO

Informamos que a direção de Correio Eletrónico da C.Caç.106, foi alterado de "Hotmail" para "Outlook".
Assim, a direção completa passa a ser: " c.cac.106-lucunga@outlook.com ".
Cá ficamos à espera dos vossos trabalhos, nesta nova morada.
Saudações amigas

19 de outubro de 2012

7º ENCONTRO CONVIVIO

 
 
Como  vem sendo habito, realizou-se no dia 13 do corrente mais um  Encontro Convivio, o 7º, dos antigos elementos que pertenceram à C.Caç.106, Companhia que esteve no Lucunga, Angola, entre 1969 e 1970. Aqui ficam algumas fotos desse encontro, enviadas pelo ex-companheiro Mendes da Silva
 
 
 
 









15 de outubro de 2012

PENSAMENTOS DE OLIMPIO PINTO

O Soldado nunca morre!

Por vezes, por desígnio de Marte, Cai em combate!

- Alcança o Firmamento da Imortalidade!


O.A.A.P.
2012
 
 
 
 
Poder, uso, e legitimidade
 
 

Uns por pânico e cobardia, outros por ignorância e acefalia, são
muitos os que invocam, sistemática e pateticamente, a legitimidade da
eleição, ocultando, ou desconhecendo, o que é a legitimidade do
exercício.

O.A.A.P.
2012

6 de outubro de 2012

LIMA DUARTE - TEXTO II

 
A ignorância...  é atrevida
O nosso amigo “Zé” (que não era da fisga),  na verdura dos seus vinte anos, não conhecia o aforismo popular que serve de título a este curto texto.
Consciente das suas responsabilidades, no que respeita aos homens que comandava e ás obrigações militares em campanha, nunca se permitiu facilitar no desempenho das suas funções, procurando que o treino militar recebido e tansmitido pelos Comandos, permitisse atravessar sem perdas humanas a comissão de serviço para a qual foi destacado.
As coisas já não eram bem assim, quando transportadas para o lado individual, isto é, quando se encontrava de folga.  Há contudo excepções, que só servem para confirmar a regra.
Sabendo que ía para o mato, procurou ler o que, para além dos manuais militares, lhe pudesse chegar às mãos, sobre caça e caçadores, julgando-se provavelmente a partir daí, embora talvez inconscientemente, um “especialista” na matéria.
Nessa vontade de viver experiências, que muito provavelmente não voltaria a viver, integrou amiudadas vezes a equipa de caça, chegando algumas vezes a sair do aquartelamento, durante o dia, sózinho (daí ter chegado a um encontro com uma pacaça de “quedes ou sapatilhas”, numa outra situação, que viria a relatar a seu tempo), equipado com uma Mauser (excelentes de precisão) e algumas balas de ponta cortada (mal sabendo ele, na altura, que as balas cortadas, sem qualquer critério, sofriam desvios de direcção. Mas isso aprendeu com a pacaça de “quedes”).
Esta contudo, é outra “estória”.
O pelotão, do qual fazia parte, estava de serviço ao aquartelamento e competia-lhe, para além de garantir a segurança, abastecer a unidade de lenha e água. Ao nosso amigo, a escala de serviço marcava-lhe o abastecimento à companhia (feito por duas secções e por norma numa sequência que levava a carregar água, logo pela manhã, e depois a ida à lenha, na maior parte das vezes, à tarde).
Manhã cedo, saiu a coluna (dois Unimogs, vulgo “burro do mato”, para segurança,  e uma Berliet, carregada com bidons de 200 lts. para encher de água) a caminho do ribeiro onde se fazia o abastecimento, situado num pequeno vale pouco pronunciado. A iniciar a descida foi avistada uma pacaça (1) a beber numa pequena lagoa, que ficava fora do arvoredo subjacente ao ribeiro.
Naquele dia, no entanto, vá lá saber-se porque razões, a vontade de caçar do Zé, não era nenhuma. O pessoal contudo insistiu e ele acabou por aderir à ideia, permitindo que três dos seus camaradas fossem tentar apanhar o animal, (um deles levando a G3 do Zé e deixando a FN de cano reforçado)enquanto os restantes, com as viaturas paradas, ficavam no alto a ver o que a caçada dava.
A aproximação foi feita, os disparados sucederam-se, mas o animal não caiu, fugindo em direcção à “picada”.
Os carros arrancaram então para tentar interceptar a pacaça, só que esta enfiou-se na mata, deixando contudo um rasto de sangue, onde era visível muita espuma. O animal estava ferido e, “pelos livros”, devia ser nos pulmões, pelo que «teria morte mais ou menos certa, dentro de algum tempo».
Aqui, o nosso amigo entusiasmou-se, porque terá pensado, «o animal vai morrer e é um benefício para o pessoal, que pode comer carne de caça fresca» e ao mesmo tempo, na dúvida, reconheceu para com os seus botões, que «era um perigo deixar à solta um animal ferido, capaz de matar quem se lhe atravessasse no caminho».
Pensou e lançou mãos à obra. De FN na mão, mandou avançar os carros para o abastecimento, distribuiu a segurança, entregou o comando ao cabo mais antigo e lançou-se  na perseguição da pacaça, com mais três soldados, P....; B.... e X... .
Ainda avistou o bicho, depois de subir uma pequena árvore, mas o local, precário, não lhe permitiu atirar e a pacaça embrenhou-se na mata. Seguindo o rasto, cada vez mais convencido que o animal não iria longe, entraram num caminho de pé posto, que mais à frente se bifurcava, havendo sinais de sangue para os dois lados.
O animal selvagem, acossado, mostrava instinto de conservação e quiçá inteligência, criando uma armadilha, camuflando-se de tal forma que a escassos três ou quatro metros não se conseguia descortinar.
Na dúvida, sem saber ainda o que o esperava, decidiu dividir as “tropas”, indicando que deviam ir dois para cada lado.
O avanço não foi nenhum, ele foi para a esquerda, o P...,  foi para a direita, e não tinham dado dois passos, quando se ouviu um barulho do lado direito. Mais rápida do que o pensamento, a pacaça avançava sobre o P...  e, tudo aconteceu num relâmpago.
Este (baixinho) gritou e recuou,  por felicidade (só reconhecida depois), tropeçou numa raíz, caindo de costas, no preciso momento em que a pacaça investiu. O nosso amigo virou-se viu o bicho a investir e meteu bala na câmara, disparando por instinto sobre a pacaça. Só que a arma encravou. Voltou a repetir a operação, já com o bicho em cima, tentou novo disparo  mas a FN voltou a encravar.
Entretanto, ao cair, a arma do soldado P... disparou-se  enquanto o bicho flectiu na direcção do nosso amigo, que só teve tempo de se encostar ao capim, fazendo uma “chicoelina” para escapar à marrada.
Os dois que vinham atrás, B.... e X.... mal sentiram o movimento do animal, viraram as costas e fugiram. Aperceberam-se depois que a pacaça corria num trilho ao lado do deles (fugiam lado a lado) e vai de atirar rajada para cima do animal, gritando que ele tinha caído mais à frente.
Dez metros atrás, o amigo Zé procurava raciocinar, na medida do possível, tentando descobrir o P..., enquanto pensava «estou f...». «O homem a esta hora está com as tripas de fora, tenho que pedir evacuação e depois como é que vou explicar esta m...». Pior, «o filho da p... do bicho matou-me o soldado».
- Oh P...; oh P..., gritava o “Zé”, aflito, enquanto olhava ao redor e para cima das árvores, para ver se via o companheiro.
De repente, atrás de si, ouviu umavoz meio sumida a responder.
- Estou aqui!
- Estás ferido? Perguntou de imediato.
- «Não», respondeu o P... ,  enquanto se punha a pé e descia as calças para ver se tinha alguma ferida, explicando  «a pacaça, ao passar por cima de mim, pisou-me os tomates e isso é que me doi».
 O nosso amigo remirava o P... para ver se via sangue,  tranquilizando-se lentamente,  enquanto perguntava «estás mesmo bem?»
Lá atrás o silêncio era dominante.  Até que B...voltou a gritar, « a pacaça está aqui morta».
Foram para trás e a verdade é que o animal lá estava caído. Só que, numa inspecção imediata o Zé constatou que, depois de tantos tiros, o bicho apenas tinha dois furos.
Um que lhe tinha atravessado as bochechas e tinha sido o causador de tudo aquilo, pois a espuma era proveniente da saliva e não dos pulmões, como julgava o expert de caça.
O outro,  que foi a causa da morte, era um furo de bala que entrou por baixo do pescoço e saiu pelo crânio, e que tinha sido disparado por  P..., quando se desequilibrou e caiu de costas no trilho.
No final, terá ficado um susto e a lição (mais uma) para recordar, e um inchaço nos tomates, que obrigou o P... a andar de perna aberta, durante quinze dias. 
Lucunga, ( a data que entenderem).
(1) Pacaça: mamífero ruminante  e selvagem, semelhante a um touro (para eventuais leitores que nunca tenham visto nenhuma, «dá uns bifes excelentes»).
*Conto ficcionado, com alguns laivos de veracidade, no enquadramento geográfico. Qualquer semelhança com a realidade, é pura coincidência.
**O autor está em desacordo com o Acordo Ortográfico. Por isso, escreve à moda antiga, e em vernáculo militar.
Lima Duarte
 
 
 
 

LIMA DUARTE - TEXTO I


Ora viva pessoal!

Dentro de dias vamos voltar a encontrar-nos em mais uma jornada de convívio da C.Caç 106, que fez a sua comissão de serviço entre Junho de 1969 e Julho de 1970, no Lucunga.

Conviver, acima de tudo, recordando momentos que marcaram a nossa vivência em comum e muitos dos nossos companheiros que partilharam bons e maus momentos connosco (alguns deles, e não sabemos quantos, deixaram já o convívio terreno com familiares e amigos ou aqueles que estarão algures e de quem perdemos o rasto).

Esta é uma tradição que infelizmente tem poucos anos (só possível graças ao advento da internet), mas que  no fundo acaba por ser a sequência daqueles que, já depois de termos deixado o exército, alguns de nós iamos fazendo, em especial quando a “saudade” apertava um pouco mais.

De alguns ficaram recordações próprias e vou aproveitar para deixar aqui uma dessas situações que acabaram por se tornar especiais.

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E lá vem as recordações. Até parece as “estórias” juvenis.

Era uma vez ... no Rialto!!!!

Era uma vez... eram cinco (não vou dizer os outros nomes porque não sei se eles gostariam de ser nomeados), todos ex-Lucunga, e a viver em Luanda -  de qualquer forma penso que são mais ou menos identificáveis, para o nosso pessoal.

Já não se encontravam há algum tempo e, conforme era hábito, quando batia a saudade, telefonavam para se encontrar, beber uns copos e conversar um bocado.

Aconteceu mais uma vez e o telefone foi tocando para aprazar o encontro. Onde vai ser (Polana? Baleizão? Tamariz?), onde não vai, até que calhou o Rialto, ali no Jardim dos CTT, virado à marginal.

Lá se encontraram, depois de sair dos respectivos empregos. Grandes conversas, sempre acompanhadas dumas “cervejolas”, uns camarões, umas quitetas e por aí adiante.

A páginas tantas, perto das nove, sai um, porque «tinha que ir ter com a namorada» (deixou uns trocos). Passados alguns minutos, sai outro, porque «tinha trabalho de fotografia (CITA) para fazer» (deixou mais alguns trocos). Ficaram três e, quando entenderam chegado o momento de ir embora, eram para aí dez da noite, pediram a conta. Veio o empregado com a “respectiva” mas, preparando-se para pagar, chegaram à conclusão que o dinheiro não chegava.

«E agora?» Interrogaram-se.

«Como vamos fazer? Vamos passar vergonha!», foi a expressão unanime.

Havia que encontrar uma solução, até porque, ali ao lado ficava o Comando da PSP e não seria agradável ir passar a noite à esquadra.

Situação complicada (parecia não haver soluções financeiras à vista), até que um deles alvitrou: «só se for a casa buscar dinheiro, mas o problema é que não tenho transporte. Ir à Boavista e vir, de “maximbas”, nunca mais cá chego».

A resposta veio a seguir, do amigo bancário, «não há problemas, tenho a mota no “Serpa Pinto”, vamos buscá-la e vamos a tua casa, mas para isso é necessário que o “portista” fique aqui».

Ok! Todos de acordo, e lá foram eles.

Pela distância que tinham que percorrer a pé e pela distância que tinham para fazer de mota, tudo isto demorou “p’raí” uma hora, e eram seguramente onze da noite quando regressaram.

Ao chegar perto, o amigo “Maianga-bancário”, parou a mota no Largo Bressane Leite, do outro lado do comando da PSP e quis ir a pé, pelo jardim, para ver como é que as coisas estavam, apreciando a natural aflição do amigo “portista”, face a tanta demora.

De facto, o amigo lá se mantinha na mesa, procurando disfarçar algum desconforto, já que a pouco mais de um metro, encostado à parede das traseiras do bar, estava o empregado a fazer uma marcação  “box to box” digna da melhor defesa pressionante que se possa fazer no basquetebol.

“Mauzinhos”, os dois amigos sentaram no banco do jardim, durante mais alguns minutos, a apreciar a “cena”.

Deu-lhes depois um rebate de consciência e lá foram resolver a situação.

Paga a conta, com o empregado desmobilizado, foi mais uma festa, com o “portista” a contar que, depois dos outros terem saído, e do empregado se ter apercebido de que só ele estava na mesa, pensando com toda a razão, que os “bandidos” iam fugir sem pagar, nunca mais o deixou sózinho. Montou guarda, e só descansou quando viu os outros dois de regresso.

Descansou ele... e descansou o amigo “portista” pois, segundo confessou, a demora estava a deixá-lo bastante preocupado, acrescentando, no entanto, num assomo de confiança, nunca ter deixado de acreditar que, «vocês iam regressar. Não me iam deixar ali pendurado»!
 
Lima Duarte

 

28 de setembro de 2012

FOTO E MENSAGEM DE LIMA DUARTE

Do nosso ex-companheiro, Lima Duarte, recebemos um e-mail acompanhado da foto que se publica


Meus  amigos:

Para o Blog, envio uma foto onde estou eu, com algum pessoal (furriéis) da C.Caç.106, que  fomos  render ao Lucunga.

O primeiro à esquerda e em pé, está o Lemos, (irmão do “nosso” Lemos),  o primeiro da direita é o Nascimento, e sentado e à direita está o Manso. Quanto aos outros, sinceramente, já não me lembro!...

Um abraço,

Lima Duarte

24 de agosto de 2012

JOÃO LIMA - FOTO

Recebemos do João Lima, da C.Caç.106-Ri20 de 1967, um e-mail com esta foto tirada junto à placa que indicava o caminho, para alem de outras localidades, também Quimaria, como se refere no e-mail que passamos a transcrever

"
Saudaçoes carissimo,

com o intuito de participar no seu blog, envio em anexo uma fotografia da placa de Quimaria, tirada em 1967, aquando da minha comissao de serviço.
Com os melhores cumprimentos,

João Lima."

OLIMPIO ALEGRE PINTO II

JULGAMENTO  IRRECORRIVEL
 
Com a devida vénia.


No Conselho de Guerra, como testemunha, o antigo Combatente,
perguntado quanto aos costumes, disse:
-"Sim, é meu Irmão!"
E, quanto aos factos, rematou:
-"Da acção do Soldado em teatro de guerra, só poderá haver julgamento
por aqueles que, sendo seus pares, tenham vivido situação semelhante."

Após um longo silêncio, o Juiz Presidente, mandou destruir o processo
e deu a sessão como terminada.


O.A.A.P.
Jun2012
 
 
MODAS
 
As "modas", com a desculpa da "inovação", não passam de um mimetismo
bacoco e inseguro, disfarçado de intelectualice modérnica, que alguns
ignorantes espertaléficos e viscosos usam e provocam, para que os não
pensantes satisfaçam a sua Feira de Vaidades e tornem tudo ainda mais
igual e apascentável.
Quando a "moda" corrompe a Língua Pátria, o Fim aparece no horizonte próximo.


O.A.A.P.
Jul2012
 
 
 
A  AGONIA  E  O  EXTASE
 
Cansada de pensar, a Filosofia perguntou à Poesia: - diz-me! - o que é a Beleza?
Ela respondeu: - "A Beleza não se define, nem tem conceito, - Ela
existe somente na plenitude do subtil sentir de uma Emoção estética, -
da inescrutável harmonia entre a Agonia e o Êxtase."


O.A.A.P.
Jul2012
 
A  UM  PAI...  E  A  UM  FILHO
 
 
A meu Pai e a meu Filho.

Era um Pêndulo! ... Ausente de apoio, suspenso no vazio infinito do
inter-estelar. Era atípico - oscilava sem período, por vezes vibrava,
em grandes amplitudes, entre a Sinuosidade da Filosofia e a
Verticalidade da Geometria. Quedava-se, um quanto, na insondável
Música da Poesia. No Espaço sem fim, não via as estrelas, e a
voracidade do Tempo não lhe permitia o que mais almejava - ser como a
Luz... e encontrá-las, por fim... e para sempre!... mesmo secando a
Curva do Espaço e vencendo o tempo do Tempo.

Sofrido, sublimava o isolamento e a ânsia aproximando-se do Planeta
Azul, tentando uma resposta que iluminasse a escura vastidão da
Existência à sua volta. Era persistente - procurava com denodo, nunca
desistia, mas... jamais encontrara. ...
Até que, um dia, no extremo cansado, quase dormente, viu o Sol brilhar
no horizonte - pensou que mais um dia despontava...
mas não! - o dia acabara e o ocaso incendiara-se. ...
A custo, pôs-se de pé, e, na vertical, solene, brilho no olhar, saudou
o Sol Poente ... ajoelhou-se devagar, e mais lentamente se deitou, de
lado, e, nos olhos cansados, no Coração tremente, recebeu a homenagem
do último raio de Luz, do Sol Poente.
A última memória mostrou-lhe toda a vida - parando, em sorriso quente,
em seus Amigos e em seus Amores, a quem afagou...
Fechou os olhos... e adormeceu para Sempre.

Ainda hoje, nas noites mais escuras e solitárias, aparece por vezes,
no Firmamento, uma estranha Constelação - é como um
Falcão - Voa ... e desaparece para além da imaginação.


Olímpio António Alegre Pinto

Idos de Julho... de 2012.
 
FOGO
 
 
Viver...
Não é estar
Nem saber!

É arder!

E nada arde
Sem que alguma coisa se queime
E sem que
Da própria Vida...
Algo se consuma.


O.A.A.P.
Jul2012
 
CIÊNCIA
 
 
A Geografia, é a primeiríssima das Ciências! - Nasceu com o relâmpago
da Consciência, com o indefinível sentir do Ser e do Estar, com a
subtil percepção do Sítio, com o primo primórdio do Pensar! - Sim! O
primeiro! - O que criou a terceira e última palavra Mágica - PORQUÊ?.

Olímpio António Alegre Pinto
Ago2012.
 
HEPTAEDRO
 
 
Mais forte do que a desculpa, é a justificação!

Mais forte do que a justificação, é a explicação!

Mais forte do que a explicação, é a acção!

Mais forte do que a acção, é a força!

Mais forte do que a força, é a palavra!

Mais forte do que a palavra, é o exemplo!

Mais forte do que o exemplo, é o Carácter!



O.A.A.P.
Ago2012

6 de março de 2012

OLIMPIO ALEGRE PINTO

Só o suave veludo
Da pétala e da cor
De negro vermelho
Da rosa perfeita...

Da mais bela flor!

Faz preito!

Em lágrima de orvalho
Com incenso sentido
Em íntima dor
Com orgulho contido...

E é par da excelsa flor!

Do cardo
De púrpura vestido.

- A mais nobre cor!
A do manto que cobre
O soldado caído
Por Honra morrido
Exangue de seu sangue
De púrpura sofrido!

Olímpio A. Alegre Pinto
(Novembro 1970)