25 de setembro de 2011

TEXTO E FOTOS ENVIADAS POR LIMA DUARTE



O dia em que comemos o “cabritito” ao sr. Santos

Hoje vou lembrar uma figura do Lucunga, que nos acompanhou ao longo da quase totalidade da nossa estadia, por terras de Bakongos (Wasika mene –  como estás? Na lingua kikongo).

 O Sr. Santos, como o tratávamos (por respeito à idade e à pessoa, a quem reconhecíamos a coragem de viver afastado de tudo o que seriam bens terrenos, escolhendo viver no meio do mato, usufruindo do que a terra dava), era um “animal” solitário.

É verdade que não foram muitos os contactos que mantive com ele, outros companheiros estarão em melhores condições para  dizer algo mais sobre esta “figura” ás vezes enigmática, que nos levou várias vezes a questionarmo-nos sobre as razões da sua permanência por aquelas paragens.  Penso que, sendo oriundo da “metrópole”,  já por lá estava há muitos anos, cortando os laços com a terra mãe.

Caçador emérito, como tive a oportunidade de testemunhar, numa desloção a Chimacongo, onde o meu grupo de combate o escoltou, para abater um elefante que tinha andado a fazer estragos no aquartelamento – o animal, teria alguns problemas de pele e, por via dessa comichão,  andou a coçar-se nas paredes das camaratas da companhia que por ali estava estacionada. Como resultado, dado o porte do “bichinho”, ficaram algumas paredes deitadas abaixo e um grande susto para o pessoal, surpreendido a meio da noite – o Sr. Santos, aparentemente vivia da caça, dos animais domésticos que criava (cabritos e galinhas) e da apanha do café, que fazia em fazendas abandonadas, normalmente para os lados do rio M’Bridge.

Essa actividade, de resto, viria a mostrar-se fatal, já que foi durante a fase final da “campanha” (junho/julho), que o sr. Santos acabaria por desaparecer, sem deixar rasto.

Fizemos várias operações de busca, com bastantes efectivos, numa zona que conhecíamos com algum pormenor, até porque ao longo da comissão tinhamos feito várias operações na área (pessoalmente estive por lá numa altura em que o rio, devido ás chuvas, tinha transbordado, obrigando-nos a andar vários dias, com água que, em determinados locais, nos chegava ao peito, sempre com o receio de ter algum encontro menos agradável, com algum “alfaiate”). Encontrámos a carrinha que usava ( se não estou em erro, uma Bedford, verde, de caixa aberta) mas dele e dos três ou quatro trabalhadores que o acompanhavam, nem sinais.

Recordado o homem, que segundo o nosso camarada Manuel Santos (infelizmente já afastado do nosso convívio),-  sempre disposto a descobrir pessoas ligadas ás “secretas”-  afirmava que «devia ser da DGS», fica também a recordação de uma pequena “maldade”, que fizemos ao sr. Santos.

Lembram-se que, para além de ser o dono daquele “bode insolente”, que dava pelo nome de Miguel, tinha ainda uma capoeira recheada de cabritos e galinhas, que muitas vezes eram vitimas dos ataques das gibóias, pela calada (salvo seja) da noite.

Ora, já na segunda metade da comissão, e quando não estávamos em missão operacional ou de serviço, era difícil arranjar formas que não fossem tão violentas para fazer passar o tempo, como aquelas que nos obrigavam a ficar sentados à porta da messe a beber umas cervejas ( na verdade não era fácil esgotar os stocks existentes, até porque duas vezes por semana lá fazíamos aproximadamente 80 km de picada, para ir ao Toto fazer o reabastecimento). Então, fartos de comer a carne que nos chegava do Vale do Loge, ou da caça que conseguiamos,  alguém se lembrou que tinha saudades de comer um “cabritito” (como diria o camarada Silva).

Se o pensaram, melhor o fizeram. Transferindo uma eventual descoberta do desaparecimento do animal (que acreditávamos não vir a acontecer, dado o numero de cabritos), para mais um ataque de gibóia, escolheram a peça, apanharam-na e deram-lhe o tratamento correcto, para um bom repasto.

A seguir, para que o dono não ficasse muito zangado (penso que mais tarde confirmou aquilo que na altura era uma desconfiança), convidaram-no para o jantar.

Foi mais uma excelente jornada de convívio, da qual os intervenientes sairam satisfeitos, pois para além de confortados com uma refeição “biológica” como se diz hoje,  tiveram a oportunidade de lembrar momentos e vivências passados em comum.

PS: Atenção, esta não é uma confissão!  Se pecado existe da minha parte, ele está no facto de ter comido (e que bem me soube) o cabrito, sabendo qual a sua proveniência.

Para recordar a nossa passagem pelo Lucunga, (esquecidas que estão muitas das palavras aprendidas durante a nossa estadia) e socorrendo-me da Wikipedia, lembro que:

O kikongo ou quicongo (também conhecido como cabinda, congo, kongo ou kikoongo) é uma língua africana falada pelos bacongos nas províncias de Cabinda, do Uíge e do Zaire, no norte de Angola; no Baixo-Congo, na República Democrática do Congo; e nas regiões limítrofes da República do Congo. O kikongo é uma língua nacional de Angola, tem diversos dialectos e era a língua falada no antigo Reino do Congo.



                                             2º Pel. na Saudação à Bandeira
                                           1ª Sec. 2º Pel. - Luaia - Março 1970
                                            Homenagem ao Sr. Santos

                                            O Quinteto da "Corda"

                                           Torneio de tiro c/ Mauser - Mesa do Juri

14 de setembro de 2011

ENCONTRO CONVIVIO

O 6º Encontro Convivio da C.Caç.106, já tem data marcada. Irá ser no próximo dia 22 de Outubro de novo nas Caldas da Rainha, e no mesmo restaurante do ano passado.
Os interessados devem fazer as respectivas marcações, com a indicação do número de participantes para o e-mail da c.caç 106.
Até lá, aquele abraço

2 de setembro de 2011

6º ENCONTRO CONVIVIO

Está para breve, quase certo será o próximo mes, (Outubro) e de novo nas Caldas da Rainha, o nosso 6º encontro convivio. Quanto à data ainda não se acertou, pois estamos ainda a receber dos nossos companheiros, os dias melhores para eles, para que democraticamente se escolher então o dia certo.
Mas estejam atentos pois lá mais para a frente daremos mais noticias.
Até lá, aquele abraço