28 de outubro de 2011

AGORA O BLOG COM ACESSO LIVRE

A partir de agora, o nosso Blog passa a estar com acesso livre, a todos os ex-elementos da C.Caç.106, deixando de ser necessário enviarem os trabalhos ( textos, fotos, poesia, etc), para a caixa de correio, para posteriormente serem publicados. Para tal, deverão ser seguidas as instruções que entretanto lhes foram enviadas.
Pensamos, e desejamos, que desta forma passe a haver uma maior participação de todos.
Com aquele abraço


Adelino Almeida

A GAZETA DAS CALDAS VEIO AO NOSSO ENCONTRO


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24 de outubro de 2011

OLIMPIO PINTO - UM AMIGO DA C.CAÇ.106



A Nobreza e a Vilania

- Foi em mil novecentos e sessenta e quatro, princípios de Novembro.

Para todos os cadetes da Academia Militar, tinha sido sorteado um único
bilhete de entrada para o espectáculo de estreia da temporada de ópera do
Teatro São Carlos, em Lisboa.

A sorte calhou ao cadete-aluno n.º 677. Este, na ante-véspera do dia da
estreia, fora punido com onze dias de detenção (por trajar à civil sem o
competente passaporte). Cumprir pena de detenção significava a total
impossibilidade de ausência do quartel (o da Amadora). O nosso cadete, no
entanto, (e por razões que só ele saberá explicar), bem a tempo de chegar a
horas do início do espectáculo, vestiu o uniforme n.º 1, colocou a faixa
bordeaux, capote por cima para a esconder, meteu as luvas brancas e o
francalete dourado nos bolsos (traje de cerimónia era exigido) e, como
“de costume”, calmamente, saiu pelo buraco que dava para a estrada
e foi apanhar o comboio para o Rossio. Em frente ao Pique-Nique chamou um táxi
para o São Carlos (não seria de bom tom aparecer a pé à porta do Teatro). Pelo
caminho, substituiu o francalete e trocou de luvas… Saindo do táxi, na
primeira coisa em que reparou foi em… cinco (!) Rolls Royce estacionados
à volta – o primeiro, próximo da entrada, era o da P.R. (Américo Tomás).

No ambiente luzidio da pós entrada, tudo era muito interessante,
solene, e muito divertido, claro, - quase todos de casaca, alguns de smoking,
as senhoras de vestido comprido, até aos pés, diamantes nos peitos escorridos e
secos dos grandes decotes… pequenas conversas, apenas murmuradas…
muitos baixares de cabeça e sorrisos discretos… o nosso Marechal
(Craveiro Lopes) na fila à frente (afinal não era nada alto)… ninguém com
menos de quarenta ou cinquenta anos (?!)… excepto o inefável trintão (?)
Carlos Eugénio (o Barros Vidal)… e, claro, o nosso nóvel e muito honrado
Candidato… … dez escudos para comprar o
“libretto”… (os últimos dez, no bolso, eram para recuperar o
capote, no bengaleiro, - (pequenas fortunas)…

A ópera era a “Cosi Fan Tutte” do Mozart… em
italiano… a música era bonita… a “gritaria”… um
pouco “estridente”, mas… tinha piada! Todos estavam muito
apreciadores, circunspectos e compenetrados… o nosso cadete também…
fez muito por isso! (Noblesse oblige)! … Tudo corria bem!...

Surgiu o intervalo (intermezzo)… o nosso cadete passeava no
”foyer”, apreciando a “entourage”… De repente, um
porteiro aproximou-se, pressuroso, e disse-lhe ao ouvido que, alguém, lá fora,
queria falar-lhe. O cadete foi até às arcadas e, mal lá chegou, viu alguém a
esbracejar do outro lado do largo (?!!!)… Apesar da meia sombra,
reconheceu-o logo – era um Camarada (!) que lhe gritou, bom som, mas em
surdina – “É pá!!! Já há mais de uma hora!!! Tocou a detidos!!!
Caraças!!! – O cadete fez-lhe um aceno bem forte e bem firme e…
viu-o desaparecer em corrida rápida pelo passeio fora da Serpa Pinto…
… Faltar ao toque de detidos, era mesmo grave!... Mas, por razões várias
(e que só o cadete saberá explicar) assistiu ao espectáculo até ao final, e,
também, aos curiosos salamaleques das prolongadas, atentas e veneradas
múltiplas despedidas dos circunstantes …

O regresso ao quartel foi tardio, mas rotineiro e pacífico…
apesar do buraco!







- Foi vinte anos depois.

Tinha terminado uma aula
num curso de licenciatura da F.L. da U.L. Meia dúzia de colegas tinham ficado e
comentavam o facto de, por razão de um mal entendido, um professor catedrático
ter ficado com muito má impressão de um outro colega (ausente) e que, tal facto,
teria, necessariamente, efeitos negativos e, eventualmente, prejudiciais e
completamente injustos para o colega em questão. Um dos presentes
sugeriu que todos se
juntassem e fossem esclarecer o assunto, falando com o professor. Um pouco à
parte estava outro colega (o L.M.) já finalista, que tinha ouvido a conversa
mas nela não participara. A este foi perguntado por um dos presentes: -
“Também vens?” …???... Ele, seco, respondeu: -
“Não!” - … (!!!)… Perante o espanto, displicente,
rematou (“ipsis verbis”) : - “Seja o que for que se possa
traduzir em benefício para outrem, é, por definição, prejuízo para mim, logo,
não participo!”





Para alguns, importará
dizer que sair do quartel sem licença, era grave; pelo buraco, era grave e
arriscado… O Camarada saiu clandestinamente, teve que correr para o
comboio, comprar o bilhete, correr até ao São Carlos, passar a mensagem ao
porteiro, esperar, esperar, esperar… até cumprir a missão!... entregando,
em mão, a Carta a Garcia!... Fê-lo anonimamente… lhanamente…
espontaneamente… Naturalmente… Simplesmente… Puro
Espírito… espírito de corpo… comunhão de sentires…
altruísmo… vontade… força e Pundonor! E… CAMARADAGEM!!
………………..

Já há muitos anos que se
varreu da memória o rosto do Camarada… “Com o tempo, tudo muda,
tudo acaba”… Mas… nem tudo passa! Foi um… foi um
Camarada… mas… não foi único… Foram Todos! E a Todos…

Profunda e muito sentida
Homenagem!



……………………………………………………………………………….

Sobre o segundo facto,
não se faz qualquer comentário.



Olímpio António Alegre Pinto



Agosto de 2010.









O ENCONTRO EM VIDEO



22 de outubro de 2011

O ENCONTRO EM FOTOS

6º ENCONTRO CONVIVIO

Realizou-se hoje, 22 de Outubro, nas Caldas da Rainha, o 6º Encontro da Compamhia de Caçadores 106, estacionada no Lucunga, Angola, entre 1969/70.
Neste encontro, estiveram presentes:
Abel Anjos; Adelino Almeida; António R.Cardoso; Arlindo Silva e esposa; Armando Abreu; Artur Herman; Caldeira de Sousa; Ezequiel Romão; Lima Duarte; Manuel Patricio; Mendes da Silva; Olimpio Pinto; Ramiro Santos e esposa; Raul de Sousa, esposa, filho, nora e neto.

1 de outubro de 2011

NOVO TEXTO E FOTOS DE LIMA DUARTE

Seguem mais duas fotos na piscina natural que o rio onde íamos buscar água, formava um pouco mais à frente. Uma extensão de cerca de 60 metros, com fundo de pedra e água transparente., como se pode comprovar, e uma outra dos "3 da vida airada" "Tó Tó, Ranheta e Facada"
Manuel Albino dos Santos, Lima Duarte e José Lemos


José Lemos, Abel Anjos e Lima Duarte

25 de setembro de 2011

TEXTO E FOTOS ENVIADAS POR LIMA DUARTE



O dia em que comemos o “cabritito” ao sr. Santos

Hoje vou lembrar uma figura do Lucunga, que nos acompanhou ao longo da quase totalidade da nossa estadia, por terras de Bakongos (Wasika mene –  como estás? Na lingua kikongo).

 O Sr. Santos, como o tratávamos (por respeito à idade e à pessoa, a quem reconhecíamos a coragem de viver afastado de tudo o que seriam bens terrenos, escolhendo viver no meio do mato, usufruindo do que a terra dava), era um “animal” solitário.

É verdade que não foram muitos os contactos que mantive com ele, outros companheiros estarão em melhores condições para  dizer algo mais sobre esta “figura” ás vezes enigmática, que nos levou várias vezes a questionarmo-nos sobre as razões da sua permanência por aquelas paragens.  Penso que, sendo oriundo da “metrópole”,  já por lá estava há muitos anos, cortando os laços com a terra mãe.

Caçador emérito, como tive a oportunidade de testemunhar, numa desloção a Chimacongo, onde o meu grupo de combate o escoltou, para abater um elefante que tinha andado a fazer estragos no aquartelamento – o animal, teria alguns problemas de pele e, por via dessa comichão,  andou a coçar-se nas paredes das camaratas da companhia que por ali estava estacionada. Como resultado, dado o porte do “bichinho”, ficaram algumas paredes deitadas abaixo e um grande susto para o pessoal, surpreendido a meio da noite – o Sr. Santos, aparentemente vivia da caça, dos animais domésticos que criava (cabritos e galinhas) e da apanha do café, que fazia em fazendas abandonadas, normalmente para os lados do rio M’Bridge.

Essa actividade, de resto, viria a mostrar-se fatal, já que foi durante a fase final da “campanha” (junho/julho), que o sr. Santos acabaria por desaparecer, sem deixar rasto.

Fizemos várias operações de busca, com bastantes efectivos, numa zona que conhecíamos com algum pormenor, até porque ao longo da comissão tinhamos feito várias operações na área (pessoalmente estive por lá numa altura em que o rio, devido ás chuvas, tinha transbordado, obrigando-nos a andar vários dias, com água que, em determinados locais, nos chegava ao peito, sempre com o receio de ter algum encontro menos agradável, com algum “alfaiate”). Encontrámos a carrinha que usava ( se não estou em erro, uma Bedford, verde, de caixa aberta) mas dele e dos três ou quatro trabalhadores que o acompanhavam, nem sinais.

Recordado o homem, que segundo o nosso camarada Manuel Santos (infelizmente já afastado do nosso convívio),-  sempre disposto a descobrir pessoas ligadas ás “secretas”-  afirmava que «devia ser da DGS», fica também a recordação de uma pequena “maldade”, que fizemos ao sr. Santos.

Lembram-se que, para além de ser o dono daquele “bode insolente”, que dava pelo nome de Miguel, tinha ainda uma capoeira recheada de cabritos e galinhas, que muitas vezes eram vitimas dos ataques das gibóias, pela calada (salvo seja) da noite.

Ora, já na segunda metade da comissão, e quando não estávamos em missão operacional ou de serviço, era difícil arranjar formas que não fossem tão violentas para fazer passar o tempo, como aquelas que nos obrigavam a ficar sentados à porta da messe a beber umas cervejas ( na verdade não era fácil esgotar os stocks existentes, até porque duas vezes por semana lá fazíamos aproximadamente 80 km de picada, para ir ao Toto fazer o reabastecimento). Então, fartos de comer a carne que nos chegava do Vale do Loge, ou da caça que conseguiamos,  alguém se lembrou que tinha saudades de comer um “cabritito” (como diria o camarada Silva).

Se o pensaram, melhor o fizeram. Transferindo uma eventual descoberta do desaparecimento do animal (que acreditávamos não vir a acontecer, dado o numero de cabritos), para mais um ataque de gibóia, escolheram a peça, apanharam-na e deram-lhe o tratamento correcto, para um bom repasto.

A seguir, para que o dono não ficasse muito zangado (penso que mais tarde confirmou aquilo que na altura era uma desconfiança), convidaram-no para o jantar.

Foi mais uma excelente jornada de convívio, da qual os intervenientes sairam satisfeitos, pois para além de confortados com uma refeição “biológica” como se diz hoje,  tiveram a oportunidade de lembrar momentos e vivências passados em comum.

PS: Atenção, esta não é uma confissão!  Se pecado existe da minha parte, ele está no facto de ter comido (e que bem me soube) o cabrito, sabendo qual a sua proveniência.

Para recordar a nossa passagem pelo Lucunga, (esquecidas que estão muitas das palavras aprendidas durante a nossa estadia) e socorrendo-me da Wikipedia, lembro que:

O kikongo ou quicongo (também conhecido como cabinda, congo, kongo ou kikoongo) é uma língua africana falada pelos bacongos nas províncias de Cabinda, do Uíge e do Zaire, no norte de Angola; no Baixo-Congo, na República Democrática do Congo; e nas regiões limítrofes da República do Congo. O kikongo é uma língua nacional de Angola, tem diversos dialectos e era a língua falada no antigo Reino do Congo.



                                             2º Pel. na Saudação à Bandeira
                                           1ª Sec. 2º Pel. - Luaia - Março 1970
                                            Homenagem ao Sr. Santos

                                            O Quinteto da "Corda"

                                           Torneio de tiro c/ Mauser - Mesa do Juri

14 de setembro de 2011

ENCONTRO CONVIVIO

O 6º Encontro Convivio da C.Caç.106, já tem data marcada. Irá ser no próximo dia 22 de Outubro de novo nas Caldas da Rainha, e no mesmo restaurante do ano passado.
Os interessados devem fazer as respectivas marcações, com a indicação do número de participantes para o e-mail da c.caç 106.
Até lá, aquele abraço

2 de setembro de 2011

6º ENCONTRO CONVIVIO

Está para breve, quase certo será o próximo mes, (Outubro) e de novo nas Caldas da Rainha, o nosso 6º encontro convivio. Quanto à data ainda não se acertou, pois estamos ainda a receber dos nossos companheiros, os dias melhores para eles, para que democraticamente se escolher então o dia certo.
Mas estejam atentos pois lá mais para a frente daremos mais noticias.
Até lá, aquele abraço

19 de abril de 2011

UMA DOCE E FELIZ PÁSCOA

A todos quantos visitarem este Blogue, votos de uma Doce e Feliz Páscoa

15 de abril de 2011

RELEMBRAR O 1º ENCONTRO - 5-10-2005 CALDAS DA RAINHA

video
Está quase a fazer 6 anos que se realizou nas Caldas da Rainha o 1º Encontro da C.Caç-106. 5 de Outubro de 2005.
Como é natural, foi o encontro onde teve o maior número de participantes. Não só por ser aquele onde todos já não se viam há 30 e tal anos, mas tambem por alguns, infelizmente, já terem partido. Mas ficam estas imagens para os podermos recordar com saudade.

5 de abril de 2011

O NOSSO BLOGUE JÁ ULTRAPASSOU AS 5000 VISITAS

Para um Blogue como este nosso bastante modesto, ultrapassar as 5.000 visitas, é óptimo!...
Vamos continuar a trabalhar, e para isso necessitamos da ajuda de todos, para que cresça cada vez mais.
Obrigado a todos