10 de novembro de 2010

TEXTO E FOTO DE JOAQUIM LIMA DUARTE

Do nosso ex-companheiro Joaquim Lima Duarte, recebemos esta fotografia, que antecedeu a um grande "Derby"No "Stádio" do Lucunga City.
Mas, para além de jogador, foi também reporter e conta como foi!




Em tom de desafio, porque afinal a memória faz parte da nossa vivência, sendo parte muito importante deste percurso, limitado no tempo, que é a vida, vou procurar recordar aqui alguns dos momentos passados neste espaço, que gostaria de rever, e ondeexistem locais e paisagens verdadeiramente fabulosos.

Vou deixar de parte a razão principal que nos levou até estas paragens, lembrando apenas momentos de convivio, que nos ajudaram a passar um ano de natural tensão, onde conseguimos cumprir as nossas obrigações e objectivos, felizmente sem perda de vidas humanas.

Fica também o desafio, ciente de que existem situações, por mais engraçadas e curiosas que sejam, que fazendo parte da intimidade de cada um, não devem, por isso mesmo, ser para aqui chamadas. Essas ficam para os momentos de convívio e má lingua.

Das outras, das que nos dizem directamente respeito, vamos procurar dar conta neste espaço.

Para pontapé de saída, aqui vai a primeira recordação.

O DIA EM QUE VOEI POR CIMA... DOS AVANÇADOS

Retribuindo a visita de cortesia e são convívio que a C.C. metropolitana aquartelada na Missão do Bembe, comandada pelo Capitão.....? Conde da Covilhã, sportinguista assumido, tinha feito ao Lucunga, para um jogo de futebol que havia acordado com o nosso Capitão Cardoso, ( não sei o resultado, por razão que me escapa e porque não joguei essa partida), fomos passar um dia a casa do “adversário”, com o jogo de desforra aprazado, onde seríamos extremamente bem recebidos e com direito a um almoço especial.

O engraçado da questão, no que a mim me diz respeito, é que o guarda-redes da “selecção militar do Lucunga”, era nem mais nem menos do que o Espirito Santo, furriel enfermeiro, com qualidades acima da média para ocupar o lugar (guarda-redes era algo que era inerente à famila Espirito Santo. O irmão foi um excelente guarda-redes de andebol).

Selecção a entrar em estágio (normalmente feito em unidade hoteleira de primeira qualidade, a “ Porta da Messe de Sargentos”, onde existiam uns cadeirões, extremamente confortáveis, feitos em aduelas de barril e de onde era só atravessar a “rua” para fazer um xixi, na mata) e eis que alguém trás a má notícia.

- Estamos sem guarda-redes. O Espirito Santo não quer ir.

Como se compreende foi um momento de aflição.

- Sem guarda-redes vamos ficar mal. Temos de o demover.

Criou-se de imediato uma comissão técnica (estava fora de hipótese incomodar o “seleccionador Cardoso”, por questão tão mesquinha) e fomos falar com o Espírito Santo.

Em vão, diga-se já, para abreviar caminho.

Sem nada a fazer, de imediato se destitui a comissão técnica e, no mesmo momento, com os mesmos elementos (esta coisa dos “tachos” já não é de agora), criámos o Gabinete de Crise.

A questão era: «vamos jogar e fazer má figura, perdendo com aqueles “marretas” ( por sinal até tinham bons jogadores), ou vamos dar uma desculpa e adiar o jogo?

O bom senso e a vontade de ir atacar o prometido almoço acabaram por falar mais alto e o GC decidiu e bem que iríamos almoçar. Considerando que o jogo seria apenas uma questão acessória.

Havia agora que arranjar alguém para fazer figura de guarda-redes e, sem ser preciso fazer “pim, pam,pum, o “sorteio” apontou cá para o baixinho.

Deram-me um equipamento preto, onde sobrava alguma roupa (CONFORME FOTO EM ANEXO), mas que me deu a inspiração para uma exibição digna dos melhores Estádios do Mundo. Qual Aranha Negra, a lembrar o famoso Lev Yashin, defendi tudo o que tinha defesa e não tinha, QUER DIZER... menos duas bolas que, do alto dos meus 1,67 m, me escaparam por pouco.

Contudo, não ficámos mal, pois o resultado ficou 2-2, e passámos à fase seguinte da competição, isto é, o almoço.

No regresso, talvez por já ser tarde, não tinhamos adeptos a vitoriar-nos, mas também não era preciso pois vinhamos de barriguinha cheia.

PS. Lembro-me que o Dias, de pé esquerdo, marcou um dos nossos golos. O outro que se acuse.


2 comentários:

Anónimo disse...

Capitão Calheiros, certo?

Um abraço.

Ex-combatente no Lucunga 1969/70

Joaquim António disse...

Certo. O Capitão da C.C. do Bembe, Missão era o Calheiros.