3 de novembro de 2010

REVIVENDO O LUCUNGA



19 de Julho de 1969. Neste dia, sai do Regimento de Infantaria 20 de Luanda em Angola, a Companhia de Caçadores 106, comandada pelo então Capitão António Manuel Rodrigues Cardoso, com destino ao Lucunga, bem lá no norte de Angola, onde permaneceu durante um ano
Depois da saida de Luanda, e da passagem pelo Caxito, levámos o caminho de Carmona, onde pernoitámos. No dia seguinte retomámos a viagem, passando pelo Vale do Loge, Tôto, Bembe. e finalmente o Lucunga.





Ao chegar, deparámo-nos com uma aldeia, com uma só rua, com duas grandes valas, ladeada de casas abandonadas há alguns anos atrás, casas que se tornariam em nossas habitações. (casernas)




Coisas há que, o passar dos anos, e já lá vão 40, já se apagaram da memória, mas ainda há outras bem vivas, como é o caso das casas serem cercadas de arame farpado, passando a ser um improvisado Quartel. Do lado de fora havia uma sanzala, com cujos habitantes se convivia diariamente. Uma escola, a casa do Chefe de Posto, A Enfermaria, A Casa do Gerador, motor que se ligava por volta das 18 horas, para podermos ter Luz durante a noite.



Havia ainda a Pista para as Avionetas, onde semanalmente lá aterravam para nos levar os alimentos frescos, onde por vezes apanháva-mos boleia até Carmona onde apanhava-mos o "Dakota" para Luanda. Havia também o Campo de Futebol, onde por vezes se fazia uma "perninha" ajudando a matar o tempo.




Presente na memória está ainda o local onde estava instalada a Secretaria, onde estava o 1º Sargento Coelho, infelizmente já falecido, o Ramiro e o Adelino. O Comando, ligado interiormente à Secretaria.






As Transmissões, onde estava o Furriel Caldeira de Sousa, o Duarte, o Abreu, o Pascoal Carvalho, bem como outros, cujos nomes já se apagaram na memória.
O Parque-Auto, onde estava o Sargento Moreira, O Abel, o Alcobia e o Caridade. A Cantina, onde estava o Prior. O Material de Guerra a cargo do Hipólito e do Vitor, também já falecido.






Mais a baixo, a Messe dos Oficiais e Sargentos, o Refeitório e a Cozinha a cargo do Cabo Amaral. Tudo isto, sem esquecer as cabras e o bode do Santos, que por lá andavam à solta.




Foi um ano passado de bons e outros menos bons momentos, onde felizmente nada de grave aconteceu. Mas...não foi por acaso! Tudo se deve à pessoa que estava à frente da Companhia, que sempre soube ser humano, amigo, companheiro, camarada, um grande MILITAR. Por tudo isto, e para terminar este REVIVER O LUCUNGA, julgo estar em condições de poder dizer em nome de todos os elementos que compunham a Companhia, muito obrigado COMANDANTE!...
A.A.F.A.

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